
Para alguns uma cena estranha,
Algo um tanto inusitado,
Um velório de campanha,
E, é claro com um morto ali, sendo velado...
Para os viventes servem canha,
Um churrasco vai sendo assado,
Sem pressa, bem na manha,
A gauchada vai beliscando em memória do finado...
O gaiteiro vai dedilhando a botoneira,
Numa melodia bem chorada,
Uns no canto vão falando besteira,
Enchendo a cara e dando risada...
As beatas agarradas no caixão
Vão pedindo graças e aleluia
Outros numa roda de chimarrão
Contando causos e passando a cuia...
O padre deixou escapar um surdinho
Enquanto cochilava sentado,
Uns culparam o vizinho,
Outros acharam que o defunto já estava estragado...
E então, já altas horas da madrugada
A mulher inconsolável ainda chorava,
Um gambá de bombacha rasgada
Se aprochega e pede a palavra:
- Finado Dionísio, nosso grande amigo “Didi”,
Vai pro céu bem tranqüilo...
Que da viúva eu cuido pra ti!
Acesse: www.blogopoeta.blogspot.com
Assista: www.bagualismo.tv
Entre e faça parte da rede: www.poetasgauchos.ning.com